Advogado morto por diarista em apartamento de luxo levou mais de 40 facadas
Advogado de 75 anos levou mais de 40 facadas após acordar durante roubo em BH, diz Polícia Civil
O advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, foi morto com mais de 40 facadas dentro do apartamento onde morava, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que revisou os laudos periciais e constatou que a vítima sofreu mais do que o dobro dos golpes inicialmente estimados.
A esposa dele, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, também foi assassinada e sofreu 14 facadas.
A principal suspeita do crime é a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, presa na noite de quarta-feira (1º), em Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Segundo a Polícia Civil, ela confessou o duplo homicídio e afirmou que a motivação foi financeira.
De acordo com o delegado Gustavo Barletta, a investigada apresentou comportamento instável durante o interrogatório, com falas desconexas. Ela pediu perdão à família das vítimas e declarou que pretende responder pelo crime.
Prisão
Após identificarem que Paola estava hospedada em um hotel de Itabira, equipes da Polícia Civil saíram de Belo Horizonte e efetuaram a prisão ainda na noite de quarta-feira. Conforme o delegado, ela foi encontrada abraçada ao filho de 6 anos, chorando, e não ofereceu resistência.
A suspeita disse aos policiais que já esperava ser presa devido à grande repercussão do caso.
Como o crime aconteceu
Segundo o depoimento da diarista, ela foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e decidiu furtar joias, relógios e dinheiro ao perceber os objetos de valor no imóvel.
Ainda conforme a investigação, o plano inicial era apenas dopar o casal para facilitar o furto. A mulher contou que triturou quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado no tratamento da depressão, e misturou a substância em um suco servido às vítimas.
Cerca de 30 a 40 minutos depois, o casal começou a adormecer. A Polícia Civil apreendeu aproximadamente 50 comprimidos na bolsa da suspeita, o que reforça a hipótese de premeditação.
Enquanto recolhia os objetos, Cláudio Atala acordou e percebeu o roubo. Paola afirmou que pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo, mas, diante da reação da vítima, passou a golpeá-lo repetidamente.
Maria Clotilde, que ainda estava sob efeito do medicamento, também foi morta. A suspeita afirmou ainda que ouvia "vozes" dizendo que deveria matar o casal.
Após o crime, ela lavou a faca utilizada, trocou de roupa — vestindo peças da vítima — e deixou o apartamento levando cerca de R$ 18 mil em dinheiro, além de joias e relógios. Parte dos bens já foi recuperada pela Polícia Civil.
Fuga
Depois de deixar o prédio, Paola afirmou ter utilizado um carro, possivelmente de aplicativo, para seguir até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, pagando R$ 40 pela corrida. A Polícia Civil busca identificar o motorista para esclarecer detalhes da fuga.
Motivação
Em depoimento, a diarista afirmou que o crime teve motivação financeira. Ela disse que, embora já tivesse quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas, queria dinheiro para "curtir a vida".
Também relatou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas.
A Polícia Civil segue investigando o caso para confrontar a versão apresentada pela suspeita com as demais provas reunidas. O filho da investigada foi entregue aos familiares.





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