Master: Vorcaro terá que entregar Flávio Bolsonaro em delação negociada por ex-advogados de Michelle
Vorcaro prepara nova delação e terá de explicar relações com Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira
Classificado como “irmão” em um áudio no qual Flávio Bolsonaro (PL) cobra parte dos US$ 24 milhões que teriam sido prometidos ao clã, supostamente para financiar o filme Dark Horse, o banqueiro Daniel Vorcaro terá de detalhar sua relação com o senador e com o presidente do PP, o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), em uma nova proposta de delação premiada relacionada ao caso Master.
Esta é a terceira tentativa de acordo apresentada por Vorcaro. Para retomar as negociações com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o banqueiro contratou o escritório Bialski Advogados Associados, comandado pelo advogado Daniel Bialski, que já atuou na defesa de nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro.
A nova proposta busca também viabilizar a saída de Vorcaro da prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Para avançar, porém, o acordo deverá apresentar informações e nomes que não constavam nas duas propostas anteriores, ambas rejeitadas pelos investigadores.
Segundo as informações relacionadas às negociações, nas primeiras tentativas Vorcaro teria buscado preservar Flávio Bolsonaro. O cenário mudou após a divulgação do áudio e de informações sobre uma visita feita pelo senador ao banqueiro depois de sua primeira prisão, em novembro do ano passado. Os episódios teriam reforçado, para os investigadores, a existência de uma relação próxima entre os dois.
A relação de Vorcaro com Ciro Nogueira também é apontada como próxima. Em registros mencionados nas investigações, o banqueiro se referia ao senador como “amigo da vida”.
Outro ponto que aumentou a pressão sobre Vorcaro é a investigação sobre o envio de aproximadamente US$ 10 milhões para o fundo Havengate, controlado, segundo as apurações citadas, por operadores ligados a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Com a ampliação das investigações e a exposição de vínculos com integrantes do clã Bolsonaro, a expectativa é que a terceira proposta de colaboração tenha de incluir informações sobre Flávio Bolsonaro e outros integrantes do grupo político, além de esclarecer as relações financeiras e pessoais mantidas pelo banqueiro com diferentes personagens do caso Master.
As acusações e informações citadas ainda dependem da apuração das autoridades e de eventual comprovação no curso das investigações.





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