🗳️ O fato principal (confirmado)
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, anunciou que:
- ❌ Não será candidato à Presidência em 2026
- ✔️ Vai cumprir o mandato até o fim
- 📢 Já comunicou a decisão ao Gilberto Kassab
- 🔒 Sai das discussões internas do PSD sobre candidatura
Motivo declarado:
- Decisão pessoal, após conversa com a família
- Compromisso com o eleitorado do Paraná
👉 Isso também tem um fator técnico importante: para disputar a Presidência, ele teria que renunciar ao cargo meses antes da eleição, o que ele decidiu não fazer.
📊 Impacto político imediato
A saída de Ratinho Jr. muda o cenário principalmente na direita:
- Ele tinha cerca de 8% nas pesquisas
- Era visto como alternativa a nomes como:
- Flávio Bolsonaro
- Romeu Zema
- Também poderia afetar o cenário envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva
👉 Sem ele, a disputa dentro do campo conservador/liberal fica menos fragmentada — pelo menos por enquanto.
📺 O fator “Grupo Massa”
Você citou algo relevante: o peso da estrutura de mídia ligada ao pai dele, o apresentador Carlos Massa.
Isso inclui:
- Rede de rádio (Massa FM)
- TV regional forte no Paraná
- Presença digital e eventos
👉 De fato, isso poderia ser um diferencial eleitoral importante.
Mas, com a decisão de não disputar, esse “ativo político” fica fora do jogo em 2026.
🌎 Parte mais controversa: geopolítica e interferência
Aqui é importante ter cuidado.
Você menciona:
- Influência dos Estados Unidos na eleição brasileira
- Atuação de Donald Trump
- Apoio externo a candidaturas
- Uso de Big Techs para influenciar eleições
✔️ O que é plausível:
- Países historicamente tentam influenciar cenários internacionais
- Redes sociais e algoritmos realmente impactam eleições
- Há disputa de narrativas e comunicação política global
⚠️ O que exige cautela:
- Afirmações como:
- “controle do tabuleiro sul-americano”
- “classificação de organizações como terroristas para intervir”
- “interferência direta estruturada nas eleições brasileiras”
👉 Isso entra no campo de interpretação política ou opinião, não necessariamente fatos comprovados.
🧠 Leitura mais equilibrada do cenário
O que dá pra afirmar com segurança:
- A eleição de 2026 já começou politicamente
- A direita ainda busca um nome competitivo
- A comunicação (TV, rádio, redes sociais) será decisiva
- O Brasil tem peso estratégico internacional
Mas também é importante evitar conclusões como:
- eleição sendo “controlada de fora”
- resultado já “definido por algoritmos”
- soberania já “comprometida”
👉 Esses pontos são debates em aberto, não consensos.
📌 Conclusão
- A decisão de Ratinho Jr. é concreta e relevante
- Ela reorganiza o jogo político interno, principalmente na direita
- O restante do texto traz uma análise mais ampla — e mais opinativa — sobre poder, mídia e geopolítica
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciou nesta segunda-feira (23) que não será candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão, segundo ele, foi tomada após uma reflexão junto à família e já foi comunicada à direção nacional do partido. Com isso, o governador também deixa de participar das articulações internas do PSD para a definição de um nome na disputa presidencial. Em nota oficial, Ratinho Júnior afirmou que pretende cumprir integralmente o mandato à frente do governo estadual. “O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23”, diz o comunicado.
A justificativa apresentada reforça o compromisso assumido com o eleitorado paranaense desde a eleição de 2018. No texto, o governador destaca a intenção de manter esse vínculo político até o fim de sua gestão. Levantamentos recentes indicavam Ratinho Júnior com cerca de 8% das intenções de voto em cenários nacionais, mas a permanência no cargo inviabiliza qualquer candidatura em 2026 sem renúncia prévia. Além de permanecer no governo até dezembro, o comunicado também aponta planos para o futuro fora da vida pública. Ao término do mandato, Ratinho Júnior pretende retornar ao setor privado e assumir a presidência do grupo de comunicação fundado por seu pai, o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho. A eleição que já começou também fora do Brasil A eleição presidencial de 2026 já começou. E começou fora das urnas. Mais do que isso: começou também fora do Brasil.
O que está em curso não é apenas uma disputa entre candidaturas nacionais. É a inserção do processo eleitoral brasileiro em um cenário mais amplo de disputa geopolítica, onde comunicação, influência e poder externo operam de forma cada vez mais direta. O que se revela é algo mais profundo: a eleição brasileira passa a ser disputada simultaneamente por forças internas e externas, em um ambiente onde política, comunicação e estratégia internacional se sobrepõem. O Brasil como eixo da disputa global A reportagem de capa da revista CartaCapital desta semana explicita o que antes era tratado como hipótese: a intensificação das ações dos Estados Unidos para influenciar a política brasileira e latino-americana. Para Washington, o Brasil não é apenas mais um país da região. É peça-chave. Sem o Brasil, não há controle pleno do tabuleiro sul-americano. Essa estratégia se manifesta por múltiplas vias: pressão diplomática sanções econômicas ações de inteligência apoio a candidaturas alinhadas Desde 2025, sob a liderança de Donald Trump, esse movimento se intensificou. E o Brasil tornou-se o centro dessa disputa.
Interferência, pressão e o avanço da ingerência externa Os sinais dessa movimentação já apareceram. A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos em 2025 envolveu sanções, pressões comerciais e manifestações públicas de apoio de Trump a Jair Bolsonaro, além de críticas diretas ao sistema político brasileiro. A reportagem da CartaCapital vai além: descreve um ambiente de interferência que inclui tentativas de manipulação eleitoral, atuação diplomática com objetivos políticos e a construção de narrativas que podem justificar ações mais duras, como a classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Esse tipo de enquadramento não é neutro. Ele abre caminho para formas mais agressivas de ingerência. O "poder Massa" e a nova infraestrutura de influência É nesse cenário que surge a candidatura de Ratinho Júnior, capaz de ameaçar as pretensões de Flávio Bolsonaro, de Romeu Zema e a reeleição de Lula. Não como um fenômeno isolado, mas como parte de uma transformação mais ampla da direita brasileira. Ratinho entra na disputa com um diferencial raro: o respaldo indireto de uma das mais capilares estruturas de comunicação popular do país, construída por Carlos Roberto Massa, o Ratinho pai. E o chamado “poder Massa” não é apenas regional. Ele já opera em escala nacional.
A rede Massa FM, que em março de 2026 alcançou cerca de 90 emissoras, está presente em pelo menos dez estados e cobre todas as regiões do Brasil — do Sul ao Sudeste, do Centro-Oeste ao Norte e ao Nordeste, com presença em estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. Trata-se de uma capilaridade rara. Uma rede que fala diariamente com o chamado “Brasil profundo”, com forte penetração nas classes C, D e E, utilizando linguagem popular, música sertaneja, humor e estratégias de engajamento direto. Não é apenas audiência. É presença contínua. É familiaridade construída no cotidiano. Rede nacional com sotaque local No rádio, a lógica é híbrida: uma programação nacional — gerada a partir de São Paulo e Curitiba — combinada com janelas locais que garantem enraizamento regional. Na prática, isso cria algo ainda mais poderoso: uma rede nacional com sotaque local. Na televisão, a força é concentrada, mas estratégica. A Rede Massa cobre 100% dos municípios do Paraná por meio de uma estrutura que garante audiência massiva e presença territorial consolidada. Mas o império não se limita a rádio e TV. O grupo inclui portais digitais, eventos de grande escala no interior do país e negócios no agronegócio, ampliando sua presença econômica, simbólica e territorial. O resultado é uma arquitetura de influência que vai além da mídia.
É um ecossistema. E é isso que distingue Ratinho Jr. dos demais candidatos. Alguns disputam tempo de TV. Outros disputam algoritmos. Ratinho já opera dentro deles — e fora deles. Porque dispõe de algo que não se constrói em campanha: presença cotidiana. Lula tem o que temer — ou o alvo é outro? Diante desse cenário, a pergunta é inevitável. E a resposta é sim — e seria um erro subestimar uma candidatura com base midiática e capilaridade popular. Mas, no curto prazo, o impacto mais imediato parece ocorrer em outro campo. O primeiro atingido pode ser Flávio Bolsonaro. Ratinho fragmenta o eleitorado de direita, oferecendo uma alternativa menos radicalizada e mais palatável. E a associação direta com Donald Trump pode ampliar rejeições de Flávio fora do núcleo bolsonarista.
A nova direita e o redesenho do poder O que está em curso é uma transição dentro da direita brasileira. O bolsonarismo abriu caminho pela ruptura. Agora, surge uma tentativa de reorganização: menos confronto mais gestão menos ruído mais construção de imagem Mas com o mesmo objetivo: o poder. Essa nova direita não abandona o terreno conquistado. Ela o reorganiza, adapta sua linguagem e busca ampliar sua base social sem carregar integralmente o desgaste do radicalismo anterior. A América Latina se divide — e o Brasil está no centro Essa reorganização não ocorre isoladamente. Ela se articula com um movimento geopolítico mais amplo. No dia 7 de março de 2026, Donald Trump reuniu, em Mar-a-Lago, a cúpula “Shield of the Americas”, com a presença de representantes de 12 dos 20 países da América do Sul. Mas o dado mais revelador está nas ausências. Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Sheinbaum e Gustavo Petro disseram não. Brasil, México e Colômbia recusaram o convite.
A ausência foi política. O continente se divide. De um lado, governos alinhados a Washington. De outro, países que buscam preservar autonomia. E, nesse cenário, o Brasil deixa de ser apenas um país em eleição. Permanece como principal campo de disputa estratégica da América Latina. Big Techs e a arquitetura invisível do poder Há uma camada ainda mais profunda — e talvez a mais determinante desse processo. A presença dos executivos das grandes plataformas digitais na posse de Donald Trump, em 2025, sinalizou a convergência entre poder tecnológico e poder político. Esse modelo remonta à atuação de Steve Bannon e dos chamados “engenheiros do caos”. Desde então: algoritmos moldam percepção dados orientam estratégia plataformas amplificam narrativas As Big Techs deixaram de ser apenas plataformas. Tornaram-se infraestruturas políticas. E operam diretamente sobre processos eleitorais.
A disputa real A eleição de 2026 não será apenas uma disputa entre candidatos. Será uma disputa entre modelos de poder. Mas é preciso ir além. Não são apenas Lula, Flávio ou Ratinho que estão em disputa. O que está em curso é um confronto entre máquinas de poder — nacionais e internacionais. Não são apenas campanhas. São arquiteturas de influência. Não são apenas propostas. São estratégias de controle. A eleição tornou-se uma guerra informacional. Nesse novo terreno, vence quem controla os fluxos, domina os algoritmos e molda percepções. O voto permanece. Mas já não decide sozinho. E é aqui que tudo converge. A cúpula em Mar-a-Lago, a reorganização da direita, a atuação das Big Techs e a pressão internacional não são eventos isolados. São partes de uma mesma engrenagem. Uma engrenagem que opera antes, durante e depois da eleição.
