Novo Plano Diretor de Três Lagoas pode destravar Porto da Bracell e Porto Seco em 2026
O início de 2026 coloca no centro do debate um dos projetos mais estratégicos para o futuro de Três Lagoas: o novo Plano Diretor do município. A revisão da legislação é considerada decisiva para viabilizar investimentos estruturantes, como o porto viário da Bracell, no rio Paraná, e o Porto Seco de Três Lagoas, aguardados há anos.
O porto da Bracell deverá atender ao escoamento de madeira da fábrica de celulose prevista para ser instalada em Bataguassu, fortalecendo a logística regional. Já o Plano Diretor, embora esteja concluído, teve sua votação adiada após pedidos de ajustes apresentados pela empresa.
Segundo o vereador Adriano César Rodrigues, o Sargento Rodrigues (líder do prefeito na Câmara), existe a possibilidade de convocação de sessão extraordinária ainda em janeiro para apreciação do projeto, caso haja entendimento entre o presidente do Legislativo, Antônio Empeke Júnior, e o prefeito Cassiano Maia. Caso contrário, a votação deverá ocorrer em fevereiro, com o fim do recesso parlamentar.
O texto passou por audiências públicas e recebeu contribuições de moradores, técnicos e representantes de entidades. A expectativa é que a versão final consolide esse debate coletivo e resulte em um planejamento urbano atualizado, alinhado à expansão da cidade e às demandas da população.
No Legislativo, a avaliação é positiva. Vereadores consideram que o novo Plano Diretor representa um marco para organizar o crescimento urbano, estabelecer regras claras de uso e ocupação do solo e orientar políticas públicas pelos próximos dez anos.
“O novo Plano Diretor vai destravar o progresso com sustentabilidade, atendendo de forma responsável às demandas dos empreendedores do município”, destacou o vereador Sargento Rodrigues.
Entre os projetos diretamente impactados está o Porto Seco de Três Lagoas, previsto para uma área de 100 mil metros quadrados na Fazenda Rodeio, na saída para Campo Grande. O local é estratégico por contar com acesso direto à BR-262 e ao ramal ferroviário. O empreendimento é fundamental para o desembaraço aduaneiro e o escoamento da produção industrial, especialmente do setor de celulose, principal motor das exportações locais. Estudos da Receita Federal já definiram os parâmetros técnicos e a área necessária para o futuro processo de licitação.
Alguns dos pontos mais debatidos no Plano Diretor incluem o tamanho mínimo dos lotes urbanos, atualmente fixado em 360 metros quadrados, com possibilidade de redução para 240 metros em áreas específicas. Outro tema sensível é a verticalização no entorno das lagoas, onde há uma faixa de proteção de 100 metros com limite de altura de até 13 metros, além da exigência de áreas permeáveis para prevenção de enchentes e proteção dos lençóis freáticos.
O Plano Diretor orienta tanto o desenvolvimento urbano quanto o rural do município, estabelecendo diretrizes para mobilidade, zoneamento, uso e ocupação do solo, sendo considerado essencial para garantir um crescimento equilibrado e sustentável.
Além dessa revisão, a prefeitura pretende encaminhar à Câmara Municipal outros dois projetos complementares: a nova Lei de Parcelamento do Solo e a revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, que irão detalhar regras para loteamentos, exigências de estacionamento e a localização de atividades comerciais e industriais.
